A entrada de Zuñiga
teve a intenção de machucar Neymar? Foi um lance normal de jogo? Existiu
maldade na jogada? Essas questões normalmente dominariam as conversas de todos
os brasileiros. Entretanto, parece que as dúvidas foram substituídas por uma
certeza quase inquestionável. Por um ódio visceral ao colombiano. Na imprensa
não faltam vozes para exigir que o jogador dê a volta ao mundo de joelhos para
expiar o seu pecado mortal. Isso quando no íntimo não gostariam de vê-lo
chicoteado.
Na grande mídia e
nas redes sociais, ocorre um verdadeiro linchamento moral do atleta. O ufanista
e patético Galvão Bueno chegou ao ponto de dizer que foi um “atentado contra o
futebol”. Toda essa passionalidade, contudo, tem levado a uma situação bastante
grave. Zuñiga tem recebido ofensas racistas na internet e ameaças de morte. Interessante
notar que os estúpidos racistas sequer consideram o fato de Neymar ser negro.
Primeiro
é importante frisar que a própria intencionalidade do jogador no lance é
bastante questionável. É perfeitamente possível, ao
analisar a jogada de forma fria, considerá-la uma dividida normal de jogo, sem a
intenção por parte do colombiano de machucar Neymar. Esse tipo de jogada ocorre
com frequência e eventualmente ocasiona algum tipo de lesão. Essas entradas
duras, entretanto, devem ser coibidas vigorosamente pelos árbitros. Coisa que
não vem ocorrendo nessa fase da Copa. É necessário notar que ninguém critica o
fato da FIFA ter orientado os árbitros que esse tipo de entrada mais dura fique
sem cartão amarelo, pois a entidade quer evitar ao máximo que algum jogador
seja suspenso e fique fora das finais. Como sempre, a FIFA colocando os
interesses comerciais acima do futebol e da própria segurança dos atletas.
Observem, além disso, que no lance Zuñiga corre olhando para a bola e em seguida há o forte choque com Neymar. Portanto, parece ter sido um lance normal de jogo. Zuñiga, embora imprudente na jogada e por isso merecedor do cartão amarelo, não deve ser crucificado como tem sido feito tanto passionalmente pela torcida quanto de forma maldosa pela imprensa em geral.
Observem, além disso, que no lance Zuñiga corre olhando para a bola e em seguida há o forte choque com Neymar. Portanto, parece ter sido um lance normal de jogo. Zuñiga, embora imprudente na jogada e por isso merecedor do cartão amarelo, não deve ser crucificado como tem sido feito tanto passionalmente pela torcida quanto de forma maldosa pela imprensa em geral.
Há, felizmente, embora poucos, comentaristas que discordam da opinião geral, como o capitão do Tri, Carlos Alberto Torres, bem enfático
ao analisar a jogada como lance normal de partida:
Mas o mais
importante: mesmo que houvesse a intenção de Zuñiga de lesionar o brasileiro, isso
não permite que seja linchado moralmente e que receba graves ameaças e ofensas.
Vale lembrar que Neymar, há poucos dias, desferiu uma maldosa cotovelada em um
jogador croata. Agressões assim devem ser punidas desportivamente, como aconteceu,
com enorme exagero é verdade, com o uruguaio Luiz Suárez. E não “fazendo
justiça com as próprias mãos”, como parece que é o desejo de um setor da
população, que muitas vezes esbraveja contra alguém que roube alguns tostões,
mas cala-se sobre as ações dos bandidos bilionários.
Será que todo esse
ódio teria sido desencadeado se fosse um jogador branco de uma seleção
europeia? O Brasil continua a ser uma pais profundamente racista, com uma
população negra que sofre cotidianamente todo tipo de discriminação e violência
policial. Além disso, os negros e negras vivenciam uma condição de profunda
desigualdade econômica, recebendo menores salários que a população branca e
sendo a maioria nos empregos terceirizados e de baixa remuneração. O racismo
contra Zuñiga é intolerável. Assim como é intolerável querer fazer qualquer
tipo de “justiçamento” ao jogador. Esse caso só mostra como o racismo, combinado
com “um dedo de Sherehazade”, pode gerar uma situação explosiva e levar a todo
tipo de injustiça.


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